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Efapi precisa voltar ao calendário de Ponta Grossa

Imagem ilustrativa da imagem Efapi precisa voltar ao calendário de Ponta Grossa

Poucos eventos conseguem representar tão bem a identidade econômica de Ponta Grossa quanto a Exposição Feira Agropecuária e Industrial (Efapi). Muito além de uma programação de entretenimento, a feira sempre foi uma vitrine da força produtiva dos Campos Gerais, reunindo o agronegócio, a indústria, o comércio, os serviços e milhares de visitantes em um ambiente de geração de negócios, oportunidades e valorização das potencialidades do município.

A possibilidade de a edição de 2026 não acontecer acende um sinal de alerta. Não apenas pela ausência de um evento tradicional, mas pelo simbolismo de interromper uma história construída ao longo de décadas. A Efapi ajudou a consolidar Ponta Grossa como referência regional, aproximando produtores, empresários, investidores e consumidores. Seu impacto vai muito além dos portões do Centro Agropecuário: movimenta hotéis, restaurantes, comércio, transporte, turismo e diversos segmentos da economia local.

Nesse contexto, merece destaque a mobilização das principais entidades ligadas ao agronegócio. A reunião realizada entre representantes da Câmara Técnica do Agronegócio do Conselho de Desenvolvimento Econômico, da Associação Comercial, da Sociedade Rural, do Sindicato Rural e de outras instituições demonstra que o setor produtivo está disposto a assumir protagonismo para evitar que a feira desapareça do calendário. Em vez de apenas lamentar a falta de recursos públicos, as entidades apresentaram uma alternativa baseada na união de esforços, na captação de recursos privados e na busca de parcerias institucionais.

A postura revela maturidade e compromisso com o desenvolvimento regional. Afinal, grandes eventos não dependem exclusivamente do poder público. A experiência de diversas cidades brasileiras mostra que feiras agropecuárias bem-sucedidas são resultado da integração entre iniciativa privada, entidades representativas, patrocinadores e administrações municipais.

Por outro lado, também é preciso reconhecer a realidade fiscal apresentada pela Prefeitura. A administração municipal argumenta que os custos da Efapi cresceram significativamente e que a prioridade é manter o equilíbrio das contas públicas. Trata-se de uma responsabilidade que não pode ser ignorada. Nenhum gestor deve comprometer serviços essenciais ou colocar em risco a estabilidade financeira do município para atender a uma demanda, por mais legítima que ela seja.

Mas responsabilidade fiscal e incentivo ao desenvolvimento não precisam caminhar em direções opostas. A disposição manifestada pela prefeita em oferecer apoio institucional e buscar recursos junto ao Legislativo, empresas e instituições financeiras abre espaço para uma construção coletiva capaz de viabilizar o evento sem sobrecarregar os cofres municipais.

A Efapi sempre foi patrimônio econômico e social de Ponta Grossa. Sua continuidade interessa ao produtor rural, ao empresário, ao comerciante, ao trabalhador e à própria imagem da cidade. Mais do que preservar uma tradição, trata-se de manter vivo um ambiente que fomenta negócios, fortalece cadeias produtivas e projeta o município no cenário estadual.

A reunião realizada nesta semana deixa uma mensagem positiva: há disposição para o diálogo e vontade de encontrar soluções. Agora, o desafio será transformar essa convergência em ações concretas. Se cada instituição assumir sua parcela de responsabilidade, Ponta Grossa poderá preservar uma de suas mais importantes vitrines econômicas, demonstrando que a cooperação continua sendo o melhor caminho para superar momentos de dificuldade.

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