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Centro de PG ganha projeto para resgatar originalidade

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A região central de Ponta Grossa poderá passar por uma das maiores transformações urbanas das últimas décadas. Aprovado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico de Ponta Grossa (CDEPG), um projeto de requalificação propõe uma série de mudanças para recuperar a vitalidade do Centro, incentivar a ocupação de imóveis hoje ociosos e tornar a área novamente atrativa para moradores, comerciantes, investidores e turistas. A iniciativa reúne intervenções urbanísticas, alterações na legislação e ações voltadas à segurança, mobilidade e valorização dos espaços públicos.

A proposta foi apresentada pelo presidente do Secovi-PR, Carlos Tavarnaro, que buscou inspiração em experiências bem-sucedidas de cidades como Curitiba, São Paulo e Porto Alegre. A adaptação do modelo à realidade ponta-grossense partiu da constatação de que o Centro concentra importante patrimônio histórico, grande potencial econômico e elevada renda per capita, mas perdeu dinamismo nos últimos anos em razão da degradação de imóveis, da redução da circulação de pessoas e da sensação de insegurança, principalmente no período noturno.

Segundo Tavarnaro, o principal objetivo é devolver protagonismo ao coração da cidade. A intenção é estimular o retorno dos moradores ao Centro, criando um ambiente mais seguro, acolhedor e propício ao lazer, ao consumo e à convivência. A expectativa é que a combinação de investimentos públicos e privados transforme a região em um espaço mais vivo durante todo o dia e também à noite.

A presidente do CDEPG, Priscila Garbelini Jaronski, destaca que os benefícios da revitalização ultrapassam o fortalecimento do comércio. Para ela, um Centro mais organizado e atrativo impulsiona bares, restaurantes, hotéis e serviços, além de fortalecer o turismo. A avaliação é que visitantes que chegam a Ponta Grossa para conhecer atrativos como o Parque Estadual de Vila Velha e o Buraco do Padre terão mais opções de lazer e permanência na cidade, ampliando os impactos econômicos da atividade turística.

O projeto está estruturado em três propostas-piloto. A primeira contempla a Rua XV de Novembro e o entorno da Praça Marechal Floriano Peixoto, onde a intenção é criar um corredor gastronômico. Entre as medidas previstas estão ampliação das calçadas, fachadas ativas, melhoria da iluminação pública, reforço da segurança, regulamentação da ocupação das calçadas por bares e restaurantes e implantação de uma via compartilhada, priorizando o pedestre e reduzindo a velocidade dos veículos.

A segunda frente concentra esforços na Avenida Vicente Machado, no Calçadão e em quadras vizinhas, tradicional polo comercial da cidade. A proposta prevê incentivos fiscais, simplificação dos processos de licenciamento, padronização visual das fachadas e reorganização do comércio ambulante, valorizando uma região que já possui intenso fluxo de consumidores devido à proximidade com o Terminal Central.

Já a terceira proposta busca resgatar a vocação comercial da Rua Doutor Colares por meio da criação de núcleos especializados por segmentos, como calçados, moda e vestuário infantil. O projeto também prevê incentivo à implantação de estacionamentos particulares para facilitar o acesso dos consumidores e estimular novos investimentos.

Para que as intervenções saiam do papel, porém, será necessária uma série de adequações legais, incluindo mudanças na Lei de Uso e Ocupação do Solo. O cronograma prevê que, ainda neste mês, um grupo técnico defina as etapas do projeto. Em agosto, estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) elaborarão um diagnóstico detalhado da região central, que servirá de base para os projetos.

Na sequência, caberá à Câmara Municipal discutir e aprovar as alterações legislativas necessárias. O presidente do Legislativo, Júlio Küller, defende que o debate ocorra de forma transparente e com participação popular, conciliando os interesses de comerciantes, investidores, ambulantes e moradores. Se o cronograma for cumprido, a expectativa é que as primeiras intervenções comecem a ser percebidas pela população no início de 2027, marcando uma nova etapa na história do Centro de Ponta Grossa.

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