Editorial
A conexão aérea é o impulso que precisa PG
Da Redação | 08 de julho de 2026 - 03:54
Ponta Grossa não pode aceitar como normal a condição de permanecer há mais de um ano sem voos comerciais. Trata-se de uma realidade incompatível com a importância econômica do município, que figura entre os maiores polos industriais, logísticos e de exportação do Paraná. Mais do que um meio de transporte, um aeroporto funcional é uma ferramenta estratégica para atrair investimentos, gerar empregos, fortalecer o turismo e ampliar a competitividade regional.
A decisão da prefeita Elizabeth Schmidt de protocolar contribuições técnicas junto à ANAC para exigir que a ampliação da pista do Aeroporto Sant'Ana seja uma obrigação da futura concessionária é um movimento correto e necessário. A cidade não pode desperdiçar a oportunidade de resolver um problema histórico justamente no momento em que o terminal será incorporado ao Programa AmpliAR.
O projeto de concessão apresentado pela Agência Nacional de Aviação Civil traz uma evidente contradição. O aeroporto é enquadrado em uma categoria destinada à operação de aeronaves como Airbus A320 e Boeing 737, mas a pista atual, com apenas 1.280 metros, simplesmente não comporta esse tipo de operação regular. A classificação técnica não pode existir apenas no papel. Ela precisa ser acompanhada pela infraestrutura correspondente.
Mais grave ainda é saber que o Governo Federal já destina recursos para a construção de um novo terminal de passageiros, ampliação do pátio de aeronaves e novas pistas de taxiamento. São investimentos importantes, mas que perdem grande parte de sua efetividade se a principal limitação operacional permanecer inalterada. Um aeroporto moderno exige coerência entre todos os seus componentes. De pouco adianta possuir um terminal renovado se as aeronaves comerciais de maior capacidade continuarão impossibilitadas de operar.
Os prejuízos da ausência de voos comerciais são sentidos diariamente. Empresas encontram dificuldades para receber clientes, investidores e fornecedores. Executivos precisam recorrer aos aeroportos de Curitiba ou Londrina, aumentando custos, tempo de deslocamento e reduzindo a competitividade dos negócios instalados na região. O comércio perde circulação de consumidores. O setor hoteleiro deixa de receber hóspedes. Eventos, feiras e congressos tornam-se menos atrativos. Até o turismo regional sofre com a dificuldade de acesso.
Ponta Grossa consolidou-se como um dos principais centros industriais do Sul do Brasil. Recebe grandes investimentos privados, amplia sua produção, fortalece sua posição logística e lidera diversos indicadores econômicos estaduais. Uma cidade com esse perfil não pode permanecer isolada da malha aérea nacional. O desenvolvimento econômico exige conectividade.
A ampliação da pista representa muito mais do que uma obra de engenharia. Significa criar condições para que novas companhias aéreas operem na cidade, ampliar a oferta de destinos, reduzir custos das passagens pela concorrência e devolver à população um serviço essencial. Também fortalece o potencial de futuras operações de carga aérea, agregando ainda mais valor à economia regional.
Agora, a mobilização precisa ir além da Prefeitura. A bancada federal paranaense, o Governo do Estado, as entidades empresariais, o setor produtivo e toda a sociedade civil têm interesse direto nessa conquista. A audiência pública da ANAC será um momento decisivo para demonstrar que essa não é uma reivindicação isolada da administração municipal, mas uma necessidade de toda a região dos Campos Gerais.
Ponta Grossa já demonstrou que possui força econômica para crescer. O que falta é garantir que sua infraestrutura acompanhe esse avanço. Um aeroporto moderno, com pista adequada e voos comerciais regulares, deixou de ser um sonho. Tornou-se uma necessidade urgente para uma cidade que pretende continuar liderando o desenvolvimento do interior do Paraná.