Editorial
O desafio de PG de equilibrar inovação e interesse público
Da Redação | 30 de abril de 2026 - 02:12
O momento de Ponta Grossa é singular. O crescimento populacional consistente, somado à expansão industrial e a novos investimentos em áreas sociais, tem reposicionado o município como um dos polos mais promissores do interior do Paraná. Esse avanço, no entanto, traz consigo um desafio inevitável: acompanhar a velocidade do desenvolvimento com infraestrutura urbana à altura das novas demandas.
É nesse contexto que a Câmara Municipal aprovou, em primeira
discussão, o projeto que permite a concessão onerosa de bens públicos à
iniciativa privada. A proposta, que agora aguarda nova votação antes de seguir
para sanção da prefeita Elizabeth Silveira Schmidt, surge como uma alternativa
pragmática diante de um problema real: a deterioração do mobiliário urbano e a
limitação de recursos públicos para investimentos imediatos.
A ideia de transferir à iniciativa privada a
responsabilidade pela instalação e manutenção de estruturas como abrigos de
ônibus inteligentes, placas e relógios públicos parece, à primeira vista, uma
solução eficiente. Afinal, incorpora tecnologia, amplia serviços — como Wi-Fi e
monitoramento em tempo real — e ainda reduz a pressão sobre o orçamento
municipal. Em um cenário de crescimento acelerado, isso pode significar
agilidade e inovação, dois fatores essenciais para cidades que aspiram se
tornar mais conectadas e sustentáveis.
No entanto, é preciso cautela. O argumento de “custo zero”
para o Município nem sempre se traduz em benefício integral para a população. A
exploração publicitária, que sustenta economicamente o modelo, pode gerar
impactos visuais, priorizar áreas de maior interesse comercial em detrimento de
regiões periféricas e, em alguns casos, criar dependência de contratos de longo
prazo com pouca flexibilidade.
Além disso, a qualidade e a universalização do serviço
precisam ser garantidas por regras claras e fiscalização rigorosa. Não basta
instalar equipamentos modernos em pontos estratégicos; é necessário assegurar
que toda a cidade, inclusive bairros mais afastados, seja contemplada. Caso
contrário, corre-se o risco de aprofundar desigualdades urbanas justamente em
um momento em que Ponta Grossa busca consolidar um desenvolvimento mais
equilibrado.
Por outro lado, ignorar esse tipo de iniciativa também não
parece viável. Cidades que crescem rapidamente, como é o caso de Ponta Grossa,
precisam encontrar novos modelos de gestão e financiamento. A parceria com o
setor privado, quando bem estruturada, pode ser uma ferramenta poderosa para
acelerar melhorias e inserir o município no mapa das cidades inteligentes.
O ponto central, portanto, não está na concessão em si, mas
na forma como ela será implementada. Transparência nos contratos, critérios
técnicos bem definidos e participação social são elementos indispensáveis para
que o projeto cumpra sua promessa de modernização sem comprometer o interesse
público.
Ponta Grossa tem diante de si uma oportunidade importante:
transformar uma necessidade urgente em um salto qualitativo na sua
infraestrutura urbana. Mas, como toda boa oportunidade, ela exige equilíbrio —
entre inovação e controle, entre eficiência e equidade. O futuro da cidade pode
muito bem passar por decisões como essa. O desafio é garantir que ele beneficie
a todos, e não apenas parte dela.