Editorial
A rachadura na ponte da BR-376 e o descaso dos órgãos competentes
Da Redação | 28 de março de 2026 - 02:31
A rachadura na estrutura de uma ponte na BR-376, nas proximidades da área industrial de Ponta Grossa, muito embora preocupante para os milhares de motoristas que passam pelo local, é apenas um “simples sintoma” para a empresa que administra o trecho (Motiva) e para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O caso também revela uma possível omissão da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Este órgão não se manifestou, até o momento, sobre se realizou ou não uma inspeção nesta estrutura, a partir dos apontamentos de evidentes deteriorações mostradas pelo Portal aRede e pelo JM.
Em sua justificativa, o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná pontuou que a BR-376 possui jurisdição federal, e o trecho onde se localiza a ponte integra o Lote 3 do Programa Rodovias Integradas do Paraná, conduzido pelo Governo Federal. O contrato correspondente é de responsabilidade da concessionária Motiva. Dessa forma, a tratativa deverá ser realizada diretamente com a concessionária, em conjunto com a fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
O “jogo de empurra”, relacionado a este grave problema, ganha proporções com o posicionamento do Governo Federal, para quem a ponte se situa em segmento fora da jurisdição do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), uma vez que a rodovia se encontra sob concessão desde maio de 2025, sendo, portanto, de responsabilidade direta da empresa concessionária, sob fiscalização da ANTT.
Em outro extremo, a Motiva informou que a condição da BR-376, no sentido sul, no km 503, é monitorada desde o início da concessão e está estável, sem qualquer movimentação, e não representa risco aos motoristas que passam pelo trecho entre Ponta Grossa e Curitiba. O degrau no trecho em questão foi identificado desde o início da concessão e permanece na mesma condição de maio de 2025. O concreto que aparece sob a rodovia é proveniente da junta de dilatação, que foi reconstruída a partir de duas estruturas diferentes para evitar a necessidade de um aterro, também antes da concessão.
Nesta mesma nota, a concessionária ressalta que o desnível existente é construtivo, mas sem dano estrutural. O local é monitorado e aparece em relatório de metas apresentado ao poder concedente como obra de manutenção programada de médio prazo, não imediata.
Fica o alerta: a falta de manutenção em pontes e viadutos nas rodovias gera riscos graves, incluindo o colapso estrutural, acidentes fatais e interrupção do tráfego. Mais de 11 mil estruturas estão sob risco em todo o Brasil devido à idade avançada, oxidação de armaduras, fissuras e falta de inspeções preventivas, resultando em um déficit bilionário de conservação.