Editorial
Fornecer água com qualidade é obrigação da Sanepar
Da Redação | 26 de fevereiro de 2026 - 00:59
Água própria para consumo (potável) é incolor (transparente), inodora (sem cheiro) e insípida (sem sabor), livre de microrganismos patogênicos e substâncias tóxicas, atendendo aos padrões de potabilidade definidos por lei. Para garantir a segurança, a água deve ser tratada ou filtrada e fervida, eliminando riscos à saúde. A água consumida pelo ponta-grossense é cara, tem cheiro e odor.
Nas últimas semanas, vários moradores de Ponta Grossa vêm
relatando problemas com a água distribuída pela Sanepar. Entre os casos
citados, o principal é a alteração no gosto e no odor da água. Outro problema
apresentado por populares é a cobrança abusiva na tarifa de água. Seguidores do
Portal aRede e leitores do Jornal da Manhã relataram aumentos entre R$ 100 a R$
300. Em alguns casos, o valor cobrado pelos serviços da Sanepar chegou a R$
2.077,11.
A insatisfação com a Sanepar é recorrente. A CPI da Sanepar
em Ponta Grossa concluiu em maio de 2025, propondo uma multa de R$ 12,5 milhões
à companhia por falhas no abastecimento, com relatório destacando 10 anos de
atraso na obra do Rio Pitangui. A investigação apontou descumprimento do plano
de saneamento e irregularidades na renovação do contrato até 2048.
A título de compensação por danos coletivos, a Sanepar
deverá ainda pagar R$ 15 milhões, que poderão ser utilizados em programas
municipais (a serem criados) para a instalação de caixas d’água doadas pela
Sanepar em casas de famílias em situação de vulnerabilidade social e também
para a implantação de bebedouros públicos em locais estratégicos.
A Sanepar, o IDR-Paraná, o IAT, a Adapar e o Simepar
explicam que a normalização do problema “não depende apenas de ações
operacionais. A recuperação plena das condições do reservatório exige a
retomada de chuvas em volume adequado e manejo sustentável da bacia". As
instituições explicam que o cheiro e o gosto diferentes são relacionados “à
forte proliferação de algas no reservatório Alagados”. Isto, de acordo com as
entidades, ocorre “principalmente pelo longo período de chuva abaixo da média
na microbacia do Rio Pitangui”. Apesar deste problema, o documento ressalta que
a água está dentro “dos padrões de potabilidade”.
Hoje (26), a Companhia deverá participar de uma reunião com o Conselho Municipal do Meio Ambiente de Ponta Grossa (Condema) para prestar esclarecimentos. Água precisa ter pureza. É uma questão de saúde pública. Culpar a falta de chuva e proliferação de algas, apenas confirma as limitações da empresa em atender às expectativas da população. Não estamos na década de 30 e investimentos são necessários.