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Crédito e renda são, cada vez mais, os motores do mercado imobiliário

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Por Luiz Montans

Falar em um “novo normal” quando o assunto é o mercado imobiliário vai muito além de metragem e novas composições das famílias brasileiras. É claro que as preferências são importantes, mas o fator determinante para a aquisição de um novo imóvel é a capacidade de financiamento que o comprador tem. 

Com as taxas de juros em alta já há algum tempo no país, o setor é diretamente impactado quando se trata da venda de imóveis novos. O cliente pode desejar o apartamento, gostar do produto e até visitar o estande de vendas, mas uma parcela significativa encontra dificuldades na aprovação do crédito para finalizar o negócio. Nesse cenário, metragens menores se tornam padrão: as plantas são mais compactas e os projetos, mais padronizados, o que ajuda a reduzir custos de construção e a manter o valor final dos apartamentos mais acessível ao comprador. 

A qualidade do projeto, principalmente das áreas comuns, também tem peso importante na avaliação do cliente, o que nos leva a uma tendência que pode até mesmo ser uma “sequela” da pandemia da covid-19, que teve seu pico há cerca de quatro anos. Quando grande parte das pessoas precisou permanecer em isolamento, a existência de vida fora dos apartamentos tornou-se uma espécie de desejo.

Em projetos compactos, portanto, as opções de lazer passaram a representar qualidade de vida e item fundamental de comparação quando o consumidor tem uma série de diferentes empreendimentos com características muito similares. Áreas comuns, espaços de convivência e estruturas coletivas serão diferenciais cada vez mais valorizados pelos compradores.

Outro aspecto que vem se consolidando como parte desse novo cenário é a digitalização da jornada de compra. Cada vez mais clientes pesquisam, avaliam e avançam nas etapas da aquisição de um imóvel de forma online. Ferramentas digitais, visitas virtuais e atendimento remoto já fazem parte da rotina de muitas incorporadoras, especialmente no segmento de habitação popular, onde o comprador busca agilidade no processo.

Ao mesmo tempo, a relação entre empresa e cliente também mudou. Em um ambiente marcado pelas redes sociais e por plataformas de avaliação, a reputação das construtoras passou a ter um peso ainda maior. A experiência do consumidor não termina na entrega das chaves — ela continua no pós-venda e na forma como as empresas respondem às demandas e expectativas dos moradores.

Por fim, há ainda transformações estruturais em curso no próprio setor da construção civil. A escassez de mão de obra qualificada e a mudança de perfil das novas gerações vêm acelerando processos de industrialização da construção, com métodos mais eficientes e padronizados de produção.

Somadas, essas mudanças ajudam a desenhar o que podemos chamar de um novo normal do mercado imobiliário. Um mercado em que o consumidor está mais informado, os produtos evoluem para atender novas necessidades urbanas e a tecnologia ganha espaço — mas que, no fim do dia, continua dependendo fundamentalmente de dois fatores: crédito e renda.

*Luiz Montans é diretor de Desenvolvimento Imobiliário na MRV, lidera a captação de terrenos, com foco estratégico em incorporação e impacto urbano.

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