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Sem título, subversiva e consistente

Imagem ilustrativa da imagem Sem título, subversiva e consistente

Por Sebastião Natalio

Quando pensamos em exposições de artes, imaginamos logo uma galeria, um museu, com uma quantidade gigante de obras, muitas das quais nem vamos chegar perto pra ver. Outra coisa que procuramos é o título da obra pra tentar atendê-la melhor. Não é o que acontece quando você entra, e eu espero que entre, na galeria da Proex-UEPG, onde estão expostas as obras da artista plástica, Luciane Silveira, com o título de... "Sem Título". Trata-se de uma exposição com um reduzido número de obras, com a medida certa de conteúdo, sem falta, sem excesso. Pra quem já viu exposições dos dois modos, sabe do que estamos falando.

Fala-se em subversão da arte na exposição de Luciane Silveira. Aí o expectador que não desenvolveu uma melhor compreensão do que seja um ato subversivo, vai entrar esperando algo agressivo, explosivo, contestador.  E não se trata disso. A subversão cometida por Luciaane é leve, muito leve e breve. Ela usa a aquarela sob organza, aquele tecido que é muito usado em vestidos de noivas, de festas e tal, quando esperamos que a técnica seja aplicada sobre telas ou papéis com gramaturas mais densas.

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Outra subversão que ela comete é a de reunir praticamente todas as obras numa mesma parede da galeria, muito próximas umas das outras, quando estamos acostumados com obras mais espaçadas para uma melhor leitura. O ideal, pelas regras, seria de 30 a 50 cm uma das outras. No caso da exposição "Sem Título", o que é outra subversão, elas parecem estar na parede de uma casa comum. Mas, se eliminarmos os conceitos pré-estabelecidos, a exposição pode ser pensada como algo orgânico, com uma obra falando diretamente com a outra e com o público.

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A obra de Luciane Silveira reúne elementos como a organza, a aquarela, e as lambisgóias, feitas com arames coloridos que teriam sido bordados à mão, durante viagens a São Paulo, e os próprios chassis da tela, que se revelam e fazem parte do contexto geral. Observadores, como Lio Eyherabid, que participou da abertura da exposição, viu muito das catedrais ortodoxas russas no formato das obras e no colorido, além de concordar com a organicidade das obras, o que lhe despertou muito a atenção. E é fácil também identificar o colorido das pêssankas ucranianas nas lambisgóias. Logo Rússia e Ucrânia que estão em guerra há anos. A arte tem esse poder de união, que nós humanos nunca teremos.

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Como complemento da "Sem Título", alguns dos bordados em arames coloridos foram instalados no teto e ganharam uma iluminação especial, feita pelo aluno do curso de Artes e fotógrafo, Guilherme  Gerlinger. Segundo ele, a iluminação foi pensada como um complemento da exposição, intercalando luzes brancas e coloridas.

A curadoria da exposição é da professora Rosemeire Odahara Graça, e "Sem Título" fica em exposição na Galeria da Proex até 6 de maio. A Proex fica na Rua Santana, em frente a Praça da Catedral.

Autor é jornalista, artista visual. Contato: artesdosebas@gmail.com

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