Em busca da imunidade perdida

Por Marcos Pileggi 

“Aflige-me a ideia de não se poder sair daqui e tenho medo de que nos descubram e nos fuzilem. É isto que pesa sobre mim de um modo horrível.” Trecho tirado do Diário de Anne Frank (1942-1944). Em 2020, a humanidade se escondeu de um vírus que nem tem letalidade tão alta, mas tem eficiência em infectar novos alvos. O SARS-COV-2 é um vírus que tem RNA fita simples como material genético envolto por uma camada lipoprotéica, obtido das nossas próprias células, que são seu berçário.

As projeções proteicas externas que dão ao vírus este jeitão de coroa (ou corona, em latim) irão reconhecer estruturas específicas nas membranas das nossas células, permitindo sua ligação e inserção do RNA, que irá coordenar a reprodução viral dentro de nós. Se o seu sistema imunológico estiver bem, você acabará com a festa deste vírus. Se não estiver, ele poderá matar você. Cerca de 94% dos humanos conseguem dar conta desta intromissão molecular, possivelmente produzindo anticorpos contra o vírus que nos usou como maternidade. Em 6% não, devido a comprometimentos do sistema imunológico com outras doenças.

Analisando o número de mortes por milhão de habitantes, observa-se que há uma indicação de que as maiores taxas de letalidade estão vinculadas aos países mais ricos. A Bélgica, em uma das situações mais difíceis da Europa, tinha 831 mortes/milhão. A África do Sul tem apenas 20 mortes/milhão. O Brasil tem 181. Há problemas de identificação do vírus entre os países, mas há comparação é feita com 215 países do mundo, com os dados da Johns Hopkins. Outros índices da Organização Mundial de Saúde mostram que há mais diferenças entre países pobres de ricos, além do dinheiro.

Países pobres tem menos cesárias, maior tempo de aleitamento materno, famílias mais numerosas, usam menos antibióticos, que são caros, e têm menos acesso a práticas de higienização. Provavelmente as pessoas destes países mantém comunidades de microrganismos mais diversas na pele, intestino e boca, passando de mães para seus filhos, em uma relação evolutivamente saudável. Estes microrganismos têm funções benéficas para nós, emitindo sinais químicos que as identificam para o nosso sistema imunológico, que não irá combatê-las.

A simples lavagem das mãos com sabonetes consegue diminuir a carga de microrganismos oportunistas e eliminar o SARS-CoV-2 (devido ao envoltório lipoprotéico que roubou da gente durante sua formação), mas a diversidade bacteriana não diminui e se reestabelece. Já o álcool 70% interfere mais, diminuindo a chance de recuperação da boa microbiota e permitindo a colonização por outra que não irá calibrar o nosso sistema imunológico. Publicações desde 1980 mostram que países ricos tendem a apresentar menores índices de doenças infecciosas e maiores de doenças relacionadas a problemas de desregulação imunológica, como asma, anafilaxia, renite alérgica, dermatite atópica, diabetes tipo 1 e síndrome do intestino irritável. Estas são algumas das comorbidades que fazem as pessoas serem presas mais fáceis do SARS-CoV-2.

A baixa diversidade de bactérias já presentes em crianças nascidas por cesáreas e pouco alimentadas ao peito materno acarreta problemas em sua vida adulta. Pré e probióticos podem se mostrar estratégias eficientes para a diminuição de problemas imunológicos de maneira barata. Ninguém ficará rico desenvolvendo estas estratégias. A medicina não precisa ser cara para ser eficiente. Por isso minha luta será difícil. Minha avó deve ter dito que é melhor cuidar da nossa saúde do que depender de hospitais. A sua também não dizia isso?

 

 

Marcos Pileggi possui graduação em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de São Carlos (1986), mestrado em Genética pela Universidade Federal do Paraná (1991), doutorado em Genética pela Universidade Federal do Paraná e Ohio State University (2000), Livre Docência pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (2008), e Pós Doutoramento pela University of Minnesota (2010)

 

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