Política
Muro ilustra tensão em Brasília
Separação entre os manifestantes ilustra tensão do processo político no país e preocupa as autoridades
Afonso Verner | 16 de abril de 2016 - 06:25
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Para evitar uma verdadeira guerra de torcidas durante a votação da admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, os setores de segurança do Distrito Federal (DF) organizaram uma megaoperação para o domingo (17). Além de um efetivo de mais de três mil policiais, as forças de segurança também ergueram um muro que divide os manifestares pró e contra impeachment – a barreira ficou conhecida como o “muro do impeachment”.
A expectativa inicial da Polícia Militar é de que 300 mil pessoas acompanhem a votação no gramado da Esplanada – além dos três mil policiais que estarão no local, outros 1500 ficarão aquartelados à disposição caso haja necessidade. O “muro do impeachment” tem cerca de 1,1 mil metros de extensão por três de altura e divide toda o gramado.
Formado por grandes chapas de contenção erguidas lado a lado, o paredão de ferro será guarnecido por cordões humanos formados por policiais, em uma zona de segurança com 70 metros de largura. Nesse espaço estarão agentes a cavalo e cães de guarda que tentarão evitar qualquer tipo de contato entre militantes de lados opostos – manifestantes a favor do impeachment estarão concentrados a direita do Congresso e do lado oposto ficarão ativistas contra o afastamento.
Segundo informações do Governo do DF, os grupos ficarão confinados em um espaço de 87 mil metros quadrados e só será permitida a entrada após minuciosa revista. Para intensificar a segurança, o uso de bandeiras com haste e fotos de artifício, assim como qualquer objeto que possa causar dano ou até mesmo provocar o grupo antagonista está proibido. Entidades de todo país, inclusive de Ponta Grossa, enviarão representantes para Brasília.
contexto
Dilma tem apoio político de setores da sociedade
Uma das principais diferenças entre o processo de impeachment de Dilma e do ex-presidente, Fernando Collor, é que diferente do presidente que renunciou em 1992, Dilma tem o apoio de um setor da sociedade. Segundo o cientista político Flávio Teste, Collor não tinha base de sustentação no Congresso. "Ele foi abandonado porque a sua base se dissolveu, as forças econômicas que deram suporte à sua chegada ao poder o abandonaram e ele foi literalmente rifado desse processo. É bem diferente do que acontece hoje. Há uma divisão grande, o governo tem uma boa base parlamentar ainda, há muitos interesses em jogo, mas a capacidade de sustentação ainda é significativa", explicou Testa