Cotidiano
Aplicativo sobre infrações de trânsito vence maratona em PG
Andre Packer | 23 de agosto de 2016 - 03:55
Na “maratona hacker” da mobilidade urbana, o 1º Hackathon
Mob, realizado neste fim de semana (21/08) em Ponta Grossa/PR, 70 inovadores
dividiram-se em 13 potenciais startups e desenvolveram novas ideias para
melhorar a vida nas cidades através do uso da tecnologia. As novas empresas,
nascidas no próprio local, ofereceram soluções inovadoras para baratear os
custos do transporte coletivo, facilitar a vida dos usuários e oferecer ao
mercado e à administração pública novas possibilidades de gerir o sistema de
maneira mais eficiente.
A maratona, realizada pela Prefeitura através da Secretaria
de Indústria, Comércio e Qualificação Profissional e pelo Sebrae/PR, iniciou às
16h de sexta-feira e só terminou às 16 horas de domingo, na Estação Arte, com a
premiação das três startups que mais se destacaram, tendo em vista o potencial
da ideia e a viabilidade da proposta inovadora. Os competidores tiveram acesso
a dados sobre o transporte coletivo e outros sobre a cidade, com sugestões de
problemas a serem solucionados, mas tiveram liberdade para propor ideias em
aplicativos e softwares, desde que respeitando o tema da mobilidade urbana, com
premiação de R$ 3 mil, R$ 2 mil e R$ 1 mil, além de créditos em compras na
Amazon e na nuvem IBM (Blue Mix e SoftLayer) e 10 horas de consultoria no
Sebrae.
As ideias foram julgadas por uma banca de cinco avaliadores.
Em primeiro lugar ficou a startup Trapp, formada pelos estudantes Daniel Veiga,
Fábio Meira de Castro, Lucas Reksua e Thiago Teixeira de Almeida. A equipe
inventou um aplicativo para celulares que poderá ser usado para denunciar de
maneira rápida e direta para autoridade de trânsito o uso indevido de vagas de
estacionamento em qualquer ponto das cidades. O objetivo é fazer com que os
cidadãos contribuam para impedir que pessoas sem o direito de utilizar as vagas
para pessoas com deficiência e idosos, por exemplo, façam uso das vagas. O
mesmo vale para estacionamentos irregulares, em frente ao portão de
residências, por exemplo, registrando com foto e enviando a infração para o
agente mais próximo, buscando uma solução.
“O aplicativo vai auxiliar a mapear os pontos onde ocorrem as infrações de maneira mais comum. A ideia não é multar, mas conscientizar e resolver a situação de maneira pacífica. Hoje as pessoas não sabem como denunciar e esta será uma maneira rápida e fácil de fazer isso e otimizar o uso destas vagas, ajudando o cidadão a fazer seu papel”, conta Elina Torres, 20 anos, estudante de Engenharia de Software. O objetivo da equipe, agora, é aprimorar a ferramenta com os R$ 3 mil recebidos em prêmio. “Vamos continuar e estamos vendo as melhorias para que seja viável, tecnicamente e economicamente. Em nossa ideia, haverá geração de relatórios através desse sistema, podendo gerar melhorias na execução dos projetos de mobilidade urbana”, conta a empreendedora.
Estar e transporte coletivo
Segundo o secretário de Indústria e Comércio de Ponta
Grossa, Paulo Carbonar, a criação do ambiente de inovação irá gerar benefícios
que vão além das ideias lançadas no evento. “O Hackathon é um start para Ponta
Grossa, que cada vez mais deve abrir espaço para os inovadores, estimulando a
criação de soluções de base tecnológica, produzindo e exportando estes
conhecimentos, gerando receita e empregos extremamente qualificados”, conta
Carbonar.
Nesta oportunidade, o evento também gerou soluções para o
sistema de transporte coletivo. Na segunda posição ficou a startup Fichinha,
que bolou um aplicativo que permite a compra de créditos online pelos usuários
do transporte coletivo, através do celular e com cartão de crédito, para uso do
cartão transporte. Outro diferencial da aplicação é de que o usuário irá
transformar o próprio celular em um ponto de recarga – bastará aproximar o
cartão do smartphone e o cartão será recarregado automaticamente, com o uso da
tecnologia NFC, já disponível na maioria dos celulares. Através do aparelho também
será possível acompanhar os créditos e bloquear o cartão, caso ele seja
extraviado.
“Este resultado significa uma oportunidade de desenvolver
uma ideia e entrar no mercado das startups. Agora vamos buscar detalhes para
terminar de desenvolver o aplicativo, que não serve somente para Ponta Grossa.
Vamos buscar apoio para seguir em frente”, conta . Mauro Ricardo Júnior,
estudante de Engenharia Mecânica. Completam a equipe Carlos Eduardo Abade,
Felipe Soares, Felippe Monteiro Camargo Neves e José Guilherme de Paula do
Rosário.
O terceiro lugar contemplou o projeto Smart Card Mobile, que
buscou soluções para ampliar a eficiência do sistema de Estacionamento
Regulamentado, o Estar. A proposta busca a automação do sistema de
estacionamento rotativo. Através de um chip instalado no pára-brisas do
veículo, será possível adquirir créditos para uso do sistema. Os débitos serão
realizados automaticamente a partir do acionamento pelo usuário, que poderá
receber informações sobre o tempo restante no uso da vaga a necessidade de
realizar o estacionamento rotativo, entre outras, além de quitar notificações
pelo celular.
“Somente pelo fato de tirar a ideia do papel e ter iniciado
esse processo, já é sensacional. O próximo passo é patentear e viabilizar
economicamente o projeto. Tocar para frente, fazer acontecer e virar um negócio
de verdade”, vislumbra Nunes. A equipe foi composta por Marcelo Zoldan, Leandro
Nunes, Paulo Vieira, Felipe Canova Rodrigues e Wilhelm Bodera.
Competiram em pé de igualdade desde estudantes do Ensino Médio até profissionais da área da tecnologia, além de estudantes universitários e técnicos de diversas instituições de ensino da região dos Campos Gerais. Thaíse Orita, consultora do Sebrae, considerou “surpreendentes” a maturidade e aplicabilidade das propostas para o município. Ela acredita que, através dos eventos, as ideias para a criação de novas startups vão aflorar cada vez mais em Ponta Grossa. “Estes são eventos de sensibilização. É importante que os inovadores entendam que estas ideias podem se aplicar durante toda uma vida e podem não apenas ser usadas no município, localmente, mas que podem ser internacionalizadas com muita facilidade”, afirma.
Parceria
Com realização da Prefeitura de Ponta Grossa, através da
Secretaria de Indústria, Comércio e Qualificação Profissinal, e do Sebrae, o
Hackaton Mob teve patrocínio Gold da Heineken, Carbonar Comunicação Visual,
Viação Campos Gerais, Net/Claro e Porto Bureau, com patrocínio Silver da rede
Madero de restaurantes. As empresas .Tech, DF Systems, Flex 376, M2 e
Faculdades Ponta Grossa aderiram ao patrocínio Bronze.
A comissão organizadora foi formada por Tônia Mansani e Anne
Pedroso (Secretaria de Indústria, Comércio e Qualificação Profissional da
Prefeitura de Ponta Grossa), Thaise Orita (Sebrae), Luciano Paitch (Senai),
Rafael Breus, Lucas Jansen e Robson Jean (Startup L2 RP). Atuaram como
evangelistas Júlio Faerman, da Amazon Web Services, e Ezequiel Kwasnicki, da
Plataforma IBM Blue Mix.