Paraná é um polo de inovação

Por Armando Kolbe Júnior

O Índice de Inovação dos Estados, lançado em maio de 2019 pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), aponta que o Paraná é o segundo Estado mais inovador do País. O mesmo Índice informa que o Estado também aparece na vice-liderança em investimentos em ciência e tecnologia, ficando atrás apenas de São Paulo.

Os empreendedores têm como principal missão encontrar soluções para problemas, independentemente do setor de atuação, seja na saúde, comércio, mobilidade. Essas inovações, seja utilizando ou não das Tecnologias da Informação (TI), em um modelo de negócio com baixo custo e alta potencialidade de crescimento, são empregadas por empresas chamadas startups.

O gerente executivo de Tecnologia e Inovação da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), Fabrício Lopes, pontua que o Paraná se encontra na quinta colocação no índice de densidade de startups em relação ao número de habitantes no Brasil. No Estado, algumas instituições, públicas ou privadas, que apoiam as inovações, têm sido protagonistas, oportunizando a evolução, principalmente em sua densidade tecnológica.

São resultados obtidos, por exemplo, no ranking do Movimento 100 Open Startups, em 2018, no qual consta que dez startups de Curitiba se encontram entre as mais atraentes para o mercado. Outra notícia importante para o Estado do Paraná é o fato de que pelo menos 25 startups de Londrina, no norte, já receberam investimento. Dados esses, somados a diversos outros obtidos de fontes relacionadas às startups, demonstram essa ascensão do nosso Estado.

O Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes, 2016) apresenta alguns dados que destacam e evidenciam a tendência existente e a aposta do Paraná em incentivos fiscais cedidos pelo Governo Federal para a criação e a consolidação de ecossistemas de inovação. Esses incentivos são impulsionados pelos Arranjos Produtivos Locais (APL’s) que, por sua vez, encontram-se atrelados ao conceito de incubadora, dispondo às startups apoio nas áreas de planejamento, gestão, marketing e finanças.

No Brasil os números evidenciam uma ascensão do setor. Em 2012, eram cerca de 2.519 startups cadastradas na Associação Brasileira de Startups (ABStartups), em 2017, o número saltou para 5.147 – um aumento de quase 50%. Hoje, há aproximadamente 62 mil empreendedores e 13,104 mil startups no País. De acordo com a ABStartups, esse número pode ser ainda maior, em torno de 10 a 15 mil, (12.717), pois devemos levar em consideração que algumas empresas se encontram na fase de ideias e boa parte ainda não tem o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).

Na Região Sul, atualmente, temos 2.223 startups mapeadas no Startupbase. As três cidades melhores colocadas são: Porto Alegre (582), Curitiba (375) e Florianópolis (258). Por Estados, temos os seguintes dados: Rio Grande do Sul, com 977; Paraná, 655 e Santa Catarina, com 613.

Atendem mais o público B2B e B2B2C. B2B – Business to Business (53,9%), que são as startups voltadas às necessidades de outras empresas, não a um consumidor final diretamente, e B2B2C - Business to Business to Consumer (25,5%), que são as startups que fazem negócios com outras empresas visando atender à necessidade de um consumidor final.

Modelos de negócios

Os modelos de receita mais comumente usados pelas startups são o SaaS e o Marktplace. O SaaS significa “Software as a Service”, Software como Serviço, que são sites que utilizam a Computação em Nuvens, oferecendo serviços on-line e que anteriormente eram softwares disponíveis unicamente instalados em um computador. Ou seja, se um site oferece um serviço on-line, o qual poderia, facilmente, ser feito por um programa, ele é um SaaS. Pelo menos 44% operam com esse modelo de serviços.

Já o modelo Marketplaces, diferentemente do e-commerce – que são sites de vendas que comercializam somente produtos de uma loja – vem com uma proposta mais colaborativa de negócios com base em uma plataforma na qual diferentes lojas, ou mesmo pessoas, podem oferecer e vender seus produtos.

É bem instigante pensarmos em fazer previsões, principalmente frente a um cenário em que temos mudanças constantes. Os desafios cotidianos, lançados aos empreendedores, que pretendem criar ou mesmo desenvolver uma startup, parecem ser fáceis de suplantar, mas é uma experiência complexa, com inúmeros detalhes, que podem resultar no sucesso ou fracasso do empreendimento.

Alguns quesitos são imprescindíveis quando pretendemos galgar o sucesso, desde um bom planejamento, avaliando de forma minuciosa o setor em que pretendemos atuar. Fazer uma boa análise do conjunto de leis, normativas e regras a serem seguidas, não esquecendo de estabelecer regras de governança, projetar de forma eficaz os aportes necessários.

Também buscar fontes de financiamento, estando atento à tributação, mantendo um bom relacionamento com os colaboradores, incentivando e protegendo o patrimônio intelectual. Todos esses quesitos podem auxiliar na criação de uma cultura organizacional, com regras bem claras e transparentes, além de outros fatores que possam habilitar o sucesso da startup, contribuindo sobremaneira para o crescimento do ecossistema de inovação brasileiro.

Têm ocorrido mudanças importantes nas formas de comunicação e interação, principalmente com o advento da internet. Essa revolução, tecnológica, habilitou uma gama de novos negócios e oportunidades, gerando cada vez mais inovação. Não por acaso, essas mudanças trouxeram novas demandas à iniciativa privada e para o setor público. Pode ser o momento ideal para que o governo, por meio de políticas públicas, e a iniciativa privada, venham a moldar um cenário envolvendo inúmeros atores, de forma interativa, proporcionando um momento ímpar para que haja a geração de inovação e consequentemente, crescimento econômico, além de sustentável.

Armando Kolbe Júnior, coordenador do curso de Gestão de Startups e Empreendedorismo Digital no Centro Universitário Internacional Uninter.

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