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DÚVIDAS FREQUENTES

Pedagogo e doutor em Educação, Érico Ribas Machado destaca o papel dos pais e responsáveis na formação escolar da criança e aponta os desafios para a Educação nos próximos anos.

Em meio a um cenário cada vez mais polarizado no país, muitos pais têm dificuldades em compreender o papel que devem exercer no processo de aprendizado do filho ou da filha. Pedagogo e doutor em Educação, Érico Ribas Machado afirma que é fundamental a participação dos mais velhos dentro do ambiente escolar, atuando em conjunto com o professor e em uma relação onde nenhum dos dois lados invada o outro campo de atuação. Para ele, cabe aos pais o relacionamento afetivo e o incentivo para que o aluno crie um interesse pelo ambiente escolar, enquanto os professores e pedagogos devem ficar atentos a ensinar tudo aquilo que for de conhecimento científico.

A Educação brasileira vive um momento bastante polêmico dentro deste cenário polarizado atual. Quais cuidados os pais devem tomar neste sentido em relação à escola?

A primeira questão que os pais devem estar atentos é se a escola permite que o professor realize atividades de maneira mais autônoma em relação ao desenvolvimento de projetos e criação de estratégias pedagógicas para os conteúdos em todas as áreas do conhecimento. É necessário que se tenha essa iniciativa, de ver se o professor tem essa possibilidade de criação de projetos e se a escola permite isso ao professor. Existe um documento muito importante dentro das instituições de ensino que os pais devem conhecer, que é o projeto político-pedagógico. Lá estão escritos quais os fundamentos filosóficos da escola, por exemplo.

Até que ponto os pais devem interferir no processo de aprendizado escolar e até que ponto eles devem permitir que a escola tenha um papel mais autônomo na Educação?

O limite dos pais vai até a questão onde entra o aspecto da ética profissional. Pais e mães sempre vão querer a melhor qualidade de ensino para o filho. No entanto, principalmente aqueles que não são do campo da pedagogia, têm que compreender o limite neste aspecto. O professor e o pedagogo têm o conhecimento necessário para atuar segundo as regras e campo do conhecimento. Em resumo, não compete ao pai dizer o que ensinar ou deixar de ensinar. Pode parecer grosseiro, mas é a maneira mais simples de entender: é como alguém falar para o engenheiro como é que se faz um prédio. Por isso também não se deve falar para o professor se o aprendizado está certo ou errado. É importante destacar que a escola pode ensinar tudo aquilo que é de conhecimento científico - e não mais que isso, como o conhecimento produzido a partir do senso comum.

E como os pais podem participar desse processo de aprendizado?

É importante destacar que quando falamos nesta relação, é essencial que se tenham parcerias. O professor domina o conteúdo científico e deve priorizar a prática docente. Os pais entram como um grande apoiador e fundamental no processo de aprendizagem, mas no sentido de atuar na questão de estímulo do filho. Ou seja, no apoio em querer estudar, criar interesse em frequentar o ambiente escolar, fazer atividades e chamar a atenção do aluno. Vemos muitas vezes esta questão de o adolescente não ver sentido em estudar. Tem a ver com o relacionamento familiar, de como a família apoia e participa do processo escolar. Os pais entram com a parte afetiva e o apoio emocional para que a criança goste de estudar e desenvolva as atividades. Por isso é fundamental que o pai esteja dentro da escola, ajudando o professor a entender o processo de desenvolvimento do aluno. Cada um na sua dimensão, mas com relação entre si. 

Partindo do ponto de vista do ensino particular, qual o maior desafio da Educação brasileira para 2019?

Eu penso que seja a questão de criar alternativas para evitar a precarização da formação do professor, que pode abalar as escolas particulares. O ensino no Brasil sofre vários processos de precarização e isso atinge a questão da formação de professores que atuarão nas escolas particulares. Hoje temos cursos com menos tempo de formação, que não priorizam a pesquisa e extensão, e isso acaba precarizando a formação. Isso reflete em um professor com menos qualidade também no ensino. E acaba refletindo diretamente nas escolas particulares, que podem perder qualidade se não se atentarem a essa questão. Por exemplo: no ensino particular, o aluno tem um acesso mais fácil a elementos que contribuem para a formação, como aulas de inglês, informática, e outras atividades extracurriculares. Se o professor teve uma formação mais precária, acaba interferindo nesta aprendizagem por não saber atuar com diversas áreas do conhecimento.

Na sua opinião, a base curricular deve levar o estudante a decidir sobre a profissão no futuro ou deve auxiliar como uma forma de aprendizado para a vida?

Quando o aluno desenvolve a sua percepção de mundo, de sociedade, ele acaba tomando uma decisão de quem quer ser e como vai contribuir com o mundo. Uma coisa é querer ser médico desde pequeno. Mas vou ser médico com qual objetivo? Qual a minha utilidade? Aí se tem uma perspectiva mais técnica. Quando tenho uma lógica de entender como é o mundo onde vivo, acabo respondendo estas questões e tomando a decisão sobre a carreira. Eu particularmente defendo um processo de formação humanizado, para que o aluno se desenvolva da maneira mais profunda e com maior qualidade possível. Assim ele atua de maneira mais efetiva e se torna um excelente profissional.

Edição 2018

Anuário O Melhor da Educação