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UE mantém Brasil fora de lista para exportações de produtos animais

Comissão Europeia alega falta de garantias sobre o uso de antimicrobianos; novas exigências passam a valer em setembro

Setor pecuário nacional busca alternativas de rastreabilidade para se adequar às exigências de saúde pública da União Europeia
Setor pecuário nacional busca alternativas de rastreabilidade para se adequar às exigências de saúde pública da União Europeia -

Publicado por Eduarda Gomes

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A Comissão Europeia publicou nesta sexta-feira (05) uma atualização em sua regulamentação que altera as condições para a importação de animais e produtos de origem animal destinados ao consumo humano. O Brasil permanece fora da lista de nações consideradas aptas a atender às novas exigências sanitárias do bloco econômico. A decisão se baseia na alegação de que as autoridades europeias não receberam informações suficientes que garantam que o país implementará as medidas necessárias dentro do prazo estipulado.

As regras atualizadas restringem severamente o uso de medicamentos antimicrobianos para promoção de crescimento ou aumento de produtividade em animais de corte. Além disso, proíbem de forma rígida a utilização de determinados antibióticos que são considerados essenciais para a saúde humana. O objetivo de Bruxelas com o endurecimento da legislação é combater a resistência antimicrobiana global, exigindo que parceiros comerciais externos sigam as mesmas práticas de produção adotadas dentro do bloco europeu.

A exclusão afeta diretamente categorias de grande peso para a balança comercial brasileira, incluindo carne bovina, aves, produtos de aquicultura, mel, tripas animais e equinos. De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, a nova regulamentação também abriu espaço para novos concorrentes, inserindo países como Índia, Indonésia, Quênia, Nigéria, Sérvia, Tunísia, Tanzânia e Uganda na lista de exportadores autorizados após a apresentação de documentos considerados satisfatórios.

Apesar da exclusão atual do Brasil na lista de nações aptas, a medida não configura um embargo imediato às exportações brasileiras. O texto publicado estabelece que as novas regras entrarão em vigor a partir de 3 de setembro de 2026. Até que o prazo se esgote, o governo federal e as entidades do setor privado ainda podem manter negociações bilaterais e enviar relatórios adicionais para comprovar a conformidade com as metas exigidas pela União Europeia.

Representantes brasileiros têm intensificado as tratativas com Bruxelas nas últimas semanas, tendo a carne bovina como o foco principal das atenções. Como estratégia de contenção, o Ministério da Agricultura apresentou um protocolo privado de certificação para bovinos criados sem o uso de antimicrobianos, prevendo o rastreamento completo do animal desde o nascimento até o abate. O governo também tentou negociar um período de transição que comprovasse a ausência de medicamentos apenas nos meses finais de vida dos animais, mas a proposta foi recusada pelas autoridades europeias.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Permanência fora da lista: O Brasil não foi incluído na atualização da lista da Comissão Europeia de países aptos a exportar carnes e derivados, devido à falta de dados sobre o controle de antimicrobianos.

- Prazo para adequação: A regulamentação não aplica um embargo imediato e passará a valer a partir de 3 de setembro de 2026, permitindo que o governo brasileiro continue as negociações com Bruxelas.

- Propostas recusadas: O Ministério da Agricultura propôs um sistema de certificação privada para bovinos e tentou negociar uma restrição gradual de medicamentos nos meses finais de vida do animal, mas os europeus rejeitaram a flexibilização.

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