Cinema nacional ganha ‘Mad Max’ nordestino

Tiago Bubniak

23 de fevereiro de 2016 23:34

Tiago Bubniak

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Tecer comparações entre ‘Mad Max’ e ‘Reza a Lenda’ tem lá seus fundamentos. O filme dirigido por Homero Olivetto faz muitas referências à estética e à temática verificadas na trilogia estrelada por Mel Gibson entre os anos de 1979 e 1985. Há motoqueiros vagando por cenários áridos, escassez de água, conflito entre grupos rivais, perseguições em ambientes inóspitos, violência. ‘Reza a Lenda’, inclusive, ganhou a alcunha de ‘Mad Max nordestino’. A principal diferença, aqui, é o acréscimo de um elemento caro ao povo brasileiro: a fé.

O roteiro é inspirado em histórias contadas pelo avô do cineasta, José Medeiros Costa, a quem o filme é dedicado. Cauã Reymond interpreta Ara, um justiceiro de poucas palavras que lidera um bando de motoqueiros armados. Crente na lenda segundo a qual a imagem de uma santa traria chuva para o sertão caso estivesse no lugar certo, a gangue não hesita em levantar poeira e derramar sangue para fazer cumprir a tal profecia.

Do lado oposto está Tenório (Humberto Martins), um violento e poderoso da região cercado de capangas. Resgatada de um acidente, a jovem Laura (Luisa Arraes) acaba caindo no meio desse conflito, despertando o ciúme de Severina (Sophie Charlotte), namorada de Ara. Laura reforça as pinceladas religiosas da trama, fazendo o papel de uma espécie de “prenda” a ser “imolada” para ajudar no cumprimento de um projeto maior.

Com base nessa estrutura, Olivetto entrega uma obra de muita ação, bela fotografia e câmera acelerada. Excetuando um tiroteio típico de videogame e mal finalizado, o filme é plasticamente belo e com trilha sonora bem selecionada. A história em si, porém, é morna.  No geral, ‘Reza a Lenda’ é um trabalho que não diz a que veio; uma obra na qual a forma até chama a atenção, mas o conteúdo deixa muito a desejar.

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