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Rodovias da região servem de corredores de exportação

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01 de setembro de 2017 21:31

Da Redação

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/Foto: Divulgação/AEN
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Safras dos principais produtores brasileiros passam pelos Campos Gerais para chegarem aos destinos finais. Infraestrutura das rodovias é essencial para manutenção do negócio.

Com a crise política e econômica instaurada no Brasil desde 2015, o setor do agronegócio se tornou ainda mais importante para o país. Com a queda de rendimento em outros setores, com a indústria, comércio e serviços, o papel da produção do campo se tornou ainda mais central para a retomada do crescimento brasileiro. Boa parte do que é produzido nas lavouras do sudeste e centro-oeste passa pelas rodovias dos Campos Gerais para chegar ao destino final, deixando impostos e gerando renda nos municípios.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), empresa pública ligada ao Ministério da Agricultura, mostram que entre os 10 principais produtos exportados pelo Brasil em 2016, sete são itens ligados ao agronegócio e parte considerável dessa safra passa pelas rodovias dos Campos Gerais. Destaque para a soja, líder da lista e fruto de um lucro de R$ 19 bilhões, além da celulose, farelo de soja e café.

As estradas da região são as principais vias de escoamento da produção dos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e do próprio Paraná em direção aos portos de Paranaguá e São Francisco do Sul, este último em Santa Catarina. Dados da Secretaria de Comércio Exterior e Serviços (Secex/Mdic), compilados pelo Ministério da Agricultura, demonstram que no caso da produção da soja, milho e farejo cerca de 18% é exportado via Paranaguá, outros 6% são enviados ao exterior pelo porto de São Francisco do Sul.

Do ponto de vista logístico, a BR-376 e a PR-151 são essenciais para o escoamento desta produção. Parte da safra proveniente de Goiás e que passa pelo interior de São Paulo, também tem que trafegar pela PR-151 em direção aos portos. Outro caminho parecido é feito pela produção agrícola do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, destinadas pelas BRs 277 e 376 que desembocam na região para também seguir rumo ao porto de Paranaguá ou de São Francisco do Sul.

O presidente da Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG) e prefeito de Jaguariaíva, Juca Sloboda (DEM), lembra que no caso da PR-151, a boa manutenção da rodovia é essencial para o desenvolvimento econômico da região. “A PR-151 é a principal ligação de Jaguariaíva com a maior economia do Brasil, que está em São Paulo. As boas condições dessa estrada são vitais para conseguirmos desenvolver boas parcerias”, lembra Sloboda.

Agronegócio é responsável pelo superávit da balança comercial

A crise política e o período de instabilidade também geraram repercussões no campo econômico: a meta de déficit da União cresceu substancialmente e a balança comercial brasileira também sofreu neste cenário. Em 2013, por exemplo, com a crise mundial dos commodities a balança comercial brasileira teve superávit de apenas US$ 2,6 bilhões de acordo com a Conab, já no ano seguinte houve déficit na balança comercial de US$ 4,1 bilhões. Nos anos seguintes (2015 e 2016) o campo foi o principal responsável pelo superávit na balança de US$ 19,7 bilhões em 2015 e US$ 47,7 bilhões no ano seguinte – o campo é responsável por exportar sete dos 10 produtos mais vendidos pelo Brasil para outros países. 

Trajeto também tem importância internacional

As rodovias que cortam os Campos Gerais não só tem importância central para o escoamento da safra nacional, como também para a distribuição dos produtos no mercado mundial. Os portos sul-brasileiros, entre eles Paranaguá e São Francisco do Sul, são os principais caminhos para o que é produzido aqui conseguir chegar aos principais mercados consumidores.

A produção da soja brasileira, por exemplo, vendida em grande escala e de importância vital para a balança comercial, é majoritariamente escoada pela rota marítima que segue pelo oceano atlântico em direção ao porto de Shangai, na China. Rotas alternativas para a produção dos estados brasileiros do centro-oeste chegaram a ser escoadas pela rota do Canal do Panamá, mas os altos custos do transporte inviabilizaram o trajeto.

Desta forma, o bom desenvolvimento da balança de exportações está ligado às condições estruturais das rodovias pelas quais a safra é escoada. Com a matriz do transporte brasileiro privilegiando o escoamento pelo meio rodoviário, em detrimento do setor ferroviário ou aquaviário, as boas condições das rodovias são essenciais para a retomada do crescimento nacional após a crise.

Fluxo nas rodovias gera oportunidade de negócios

Diante do posicionamento estratégico das rodovias que cortam Ponta Grossa e outros municípios dos Campos Gerais, o fluxo intenso de veículos (principalmente caminhões) se tornou uma oportunidade de negócios. Em vários pontos das rodovias, existem centros de comércio e serviços voltados aos caminhoneiros e motoristas que trafegam pela região.

José Carlos Romero tem 47 anos de idade e trabalha como mecânico em uma oficina nas margens da PR-151 desde 1999. Segundo ele, boa parte dos atendimentos e serviços é feita para motoristas que veem de outros estados. “É difícil um dia que não atendemos alguém que esteja vindo do Mato Grosso, de Goiás ou até de Minas Gerais, quase todo mundo passa por aqui”, afirmou Romero.

A formação de centros comerciais nas margens da rodovia também acontece em outros municípios da região. No norte do Estado, por exemplo, em vários pontos da BR-376 o comércio e o desenvolvimento se fortaleceram nas margens da rodovia – em casos de cidades menores, por exemplo, por vezes grande parte da atividade comercial advém dos negócios nas margens das rodovias.

No caso de Ponta Grossa, por exemplo, o maior centro comercial em torno das rodovias está nas margens da avenida Presidente Kennedy, trecho urbano da BR-376, e na avenida Souza Naves, trecho urbano da BR-373. Na Souza Naves, centenas de estabelecimentos são voltados aos caminhoneiros que passam pela região, como restaurantes, hotéis, postos de combustíveis, borracharias, oficinas mecânicas e lojas de acessórios.

Segurança

No entanto, quando as rodovias da região cruzam as cidades um outro problema aparece: a confluência do fluxo urbano com o trânsito intenso e com veículos pesados na rodovia. Para amenizar tal situação, a concessionária CCR RodoNorte, responsável pelo trecho, tem buscado melhorias para a Souza Naves, por exemplo, além de apostar na conscientização de motoristas sobre as leis de trânsito. A empresa é responsável por campanhas de segurança, implantação de lombadas físicas e eletrônicas, reforço da sinalização e teve a iniciativa, junto à Polícia Rodoviária Federal (PRF), de reduzir a velocidade no trecho urbano da BR-376 para 60 km/h.

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