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Falta de delimitação da APA pode impedir aporte de R$ 1,8 bi

Campos Gerais

17 de março de 2017 20:59

Fernando Rogala

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A falta da readequação na Área de Proteção Ambiental da Escarpa Devoniana poderá afetar diretamente um investimento bilionário na região dos Campos Gerais. Projetos de geração de energia limpa, como de usinas eólica e hidrelétricas, assim como do setor agropecuário, todos da Frísia Cooperativa Agroindustrial, poderão jamais sair do papel. São investimentos que, somados, superam a marca de R$ 1,8 bilhão. 

O superintendente da cooperativa, Emerson Moura, explica que o principal investimento é o do complexo eólico projetado pela Frísia, na região dos Campos Gerais. Esse projeto está orçado em R$ 1,7 bilhão, mas tem parte dos aerogeradores em posições que hoje são consideradas de proteção ambiental. “Foram feitas medições durante 4 ou 5 anos dessa potencialidade que temos na região de Carambeí e Tibagi, de se produzir energia limpa através de um complexo eólico. Esse investimento, se essa lei da readequação da APA não for aprovada, talvez esse projeto seja até cancelado, por insegurança jurídica”, esclarece. 

O projeto prevê a instalação de 100 torres com aerogeradores, cada um com a potência de 3 MW. Com isso, seria a potência instalada de 300 MW. “Teríamos um grande impacto econômico e social na região. Para essas 100 torres, na manutenção do Parque Eólico, teríamos 400 empregos diretos e 700 durante a construção”, destaca Moura. Além disso ele lembra que os geradores seriam fornecidos por empresas brasileiras, destacando que os recursos iriam girar no próprio país. A cooperativa utilizaria apenas 10% dessa potência para ser autossuficiente, e comercializaria o restante para o Sistema Nacional. Ele afirma ainda que há a intenção de ampliar o incentivo na geração energética através de placas solares.

No setor da pecuária, há outro investimento no segmento suíno projetado, também afetado pela área de delimitação. Hoje a cooperativa já possui uma Unidade de Produção de Leitões (UPL), na qual houve o investimento de R$ 40 milhões, porém a demanda superou as expectativas e há a intenção de realizar um outro projeto deste. “Já chegamos ao limite e, provavelmente, nos próximos anos, teríamos que fazer a duplicação do projeto, em um investimento que pode a chegar R$ 50 milhões. E é um projeto totalmente sustentável com a geração de energia através do biogás, dejetos utilizados para serem usados como um adubo orgânico”, destaca.

Os projetos seriam financiados, com recursos buscados no próprio país. Por isso ele destaca que essa definição quanto às áreas é importante. “Hoje há agricultores e pecuaristas que hoje estão dentro da APA , e com certa insegurança, porque uma pessoa pode chegar e determinar que essa é área de proteção ambiental. Com a área delimitada, não haveria restrições, e teríamos segurança. Temos muitos investimentos até 2025, mas muitos só devem sair do papel se houver a certeza que isso vai trazer retorno no futuro”, conclui.


Projeto prevê a instalação de duas  pequenas usinas hidrelétricas

A implantação de duas pequenas centrais hidrelétricas também faz parte do projeto de geração de energia da cooperativa, projetado para ser desenvolvido junto com o complexo eólico. Elas seriam construídas em Carambeí, próximas uma da outra, e teriam potência instalada de 5MW. “Seria mais um investimento que seria cancelado em função das dificuldades de não se ter uma legislação firme”, relata, explicando que elas só serão construídas se o Complexo Eólico for consolidado, por fazer parte de um pacote de investimentos energéticos, até mesmo em função do financiamento. “Como a cooperativa tem grande preocupação com o meio ambiente, o impacto ambiental do represamento será muito pequeno”, informa.


Projeto prevê redução a área da APA em 68%

O projeto de lei 527/2016, que pretende reduzir os limites da Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana, está em tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Criada por um decreto estadual em 1992, a APA da Escarpa Devoniana abrange mais de 392 mil hectares de 12 municípios dos Campos Gerais e região. A proposta é reduzir em 68% esta área de proteção, que passaria a ter quase 126 mil hectares. Os estudos foram realizados pela Fundação ABC. Moura afirma que a margem de erro, quando feita a delimitação da APA, era de 9 quilômetros, e que agora é de, no máximo, 30 metros.

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